No primeiro artigo, contei como os alertas preocupados da minha esposa e os dados de um relógio me levaram a fazer um exame do sono, a polissonografia. Hoje, vou fazer algo que poucos fazem: abrir o resultado completo desse diagnóstico.
Vou mostrar os números que me assustaram, mas que também me deram um caminho. Esta é a verdade nua e crua sobre o perigo que eu corria e a prova de que existe uma solução eficaz.
O Veredito Oficial: “Grave Intensidade”
A conclusão do laudo foi direta e sem rodeios: “Síndrome de Apneia Obstrutiva do sono, em grave intensidade”.
Mas o que isso realmente significava? Os números detalhados no exame pintaram o quadro de um corpo que, em vez de descansar, travava uma batalha pela sobrevivência toda santa noite.

Os Números Chocantes do Meu Exame
- IAH de 58: Quase uma parada respiratória por minuto. O Índice de Apneia/Hipopneia (IAH) é o principal indicador da gravidade do problema. O meu era 58. Isso significa que, em média, minha respiração parava ou ficava perigosamente reduzida 58 vezes por hora. Para se ter uma ideia, um IAH abaixo de 5 é considerado normal.
- Saturação de Oxigênio em 59%: O Alerta Vermelho. Este foi o dado que mais me chocou. A saturação mede o nível de oxigênio no sangue. O normal é acima de 90%. A minha chegou a cair para 59%. É um nível criticamente baixo, como se eu estivesse tentando respirar no topo de uma montanha altíssima. Pior: o exame mostrou que passei mais de 26% do tempo total de sono com o corpo sendo privado de oxigênio.
- 327 Despertares e Apenas 4,9% de Sono Profundo. Para me salvar do sufocamento, meu cérebro era forçado a dar um “tranco” e me despertar brevemente. Isso aconteceu 327 vezes em uma única noite. Com essa guerra acontecendo, era impossível descansar de verdade. Meu sono profundo, aquele que repara o corpo e a mente, foi de apenas 4,9% do total da noite. Não era à toa que eu vivia exausto.
A Prova da Mudança: Os Relatórios do CPAP
Com esse cenário, o tratamento com CPAP era uma necessidade urgente. Comecei a usar meu aparelho DreamStation e, após os primeiros meses, puxei os relatórios para ver se algo havia mudado.
A primeira imagem mostra o IAH, que era 58. Veja como ele ficou:

A apneia severa estava, pela primeira vez em anos, controlada. E a grande pergunta que todos fazem: “Mas você conseguiu usar o aparelho?”. Sim. O relatório mostrou que minha adesão foi de 95%, com mais de 6 horas de uso por noite.

O Diagnóstico Assusta, Mas Salva
Ver a queda de um IAH de 58 para números normais, em meus próprios relatórios, foi a prova definitiva que eu precisava. O caminho pode dar medo no início, e os números do diagnóstico podem ser duros de encarar. Mas a verdade é que ignorar o problema é infinitamente mais perigoso.
Como a Mudança se Refletiu na Vida Real

Por anos, eu achava que meus problemas tinham outras origens. Fui diagnosticado com TDAH e TAG, lutava diariamente contra o tabagismo e a procrastinação era a minha sombra. Eu mal tinha ânimo para sair nos fins de semana e, talvez o mais desgastante de tudo, acordava mais de 10 vezes por noite para ir ao banheiro. Eu nunca associei nada disso ao meu sono.
Depois que o CPAP entrou na minha vida e os números do meu IAH despencaram, a mudança gerou um efeito dominó que eu não esperava. O sono passou a ser contínuo, sem interrupções. E com isso:
- A vontade de fumar simplesmente desapareceu.
- No trabalho, me sinto infinitamente mais produtivo, proativo e organizado.
- A necessidade de levantar para urinar de madrugada sumiu completamente.
- Minha dieta melhorou, pois eu não precisava mais buscar energia rápida no açúcar.
Ainda tenho muito a melhorar, a jornada não é uma linha reta. Mas o ganho em qualidade de vida é inegável. Os números no papel me provaram que o tratamento funcionava, mas sentir tudo isso na pele foi a verdadeira transformação.
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