Eu me preparei para o pior na minha primeira semana com o CPAP. Li relatos de pessoas que não conseguiam dormir, que arrancavam a máscara no meio da noite, que se sentiam claustrofóbicas. Mas, para minha surpresa, o que aconteceu comigo foi um pouco diferente.
A vitória nos números veio rápido, mas a adaptação à sensação do tratamento foi a verdadeira jornada.
A Primeira Noite: Um Sucesso inesperado nos relatórios

Para o meu completo espanto, já na primeira noite, eu consegui dormir. Não foi um sono mágico e perfeito, mas foi um sono sem as dezenas de interrupções que me assombravam.
Ao acordar e olhar o aplicativo do meu aparelho, a prova estava lá, clara e animadora: meu IAH, que no exame de polissonografia bateu 58, já estava abaixo de 5. A máquina estava, objetivamente, funcionando de forma espetacular desde o primeiro uso. As centenas de despertares noturnos haviam, num passe de mágica, desaparecido dos gráficos.
O Verdadeiro Desafio: lidar com a pressão do ar
Mas uma coisa são os números no celular, outra é o que você sente. Para mim, o maior desafio não foi o barulho ou a máscara, mas sim a sensação da pressão do ar.

Eventualmente, eu acordava no meio da noite sentindo a pressão do aparelho mais forte, o que gerava uma momentânea e assustadora sensação de sufocamento. É um sentimento contraditório: o mesmo ar que está garantindo seu sono de qualidade, de repente, parece ser “demais”. E preciso ser honesto: este, para mim, ainda é o ponto de maior incômodo do tratamento.
Ferramentas e Tempo: Como lidei com o desconforto
Felizmente, não estamos sozinhos nessa. A tecnologia dos aparelhos e o nosso próprio corpo nos ajudam a superar isso.
A primeira grande ajuda é uma função essencial para iniciantes: a “rampa”. Meu aparelho tem essa opção, que permite programá-lo para começar com uma pressão bem fraquinha, quase imperceptível. Aos poucos, ao longo de 15, 30 ou 45 minutos, ele vai aumentando a pressão gradualmente até atingir o nível ideal para o tratamento. Usar a rampa foi fundamental para eu conseguir pegar no sono de forma mais suave, sem “brigar” com o fluxo de ar.
O segundo fator foi simplesmente o tempo. Com o passar das noites, meu corpo foi se acostumando. Aquela sensação de sufocamento foi ficando menos frequente e, principalmente, menos assustadora. Meu cérebro começou a entender que aquela pressão era uma aliada, e não uma ameaça.
Uma Vitória nos Dados, uma Jornada na Adaptação
Minha primeira semana com o CPAP foi um sucesso retumbante nos relatórios, mas uma jornada de adaptação sensorial na prática. E está tudo bem ser assim.

Se você, como eu, teve sucesso imediato nos números, ótimo! Celebre. Se você ainda estranha a pressão, saiba que é normal e faz parte do processo. O importante é persistir, usar as ferramentas como a “rampa” a seu favor e dar tempo ao tempo. A recompensa, como já vimos, vale cada segundo de adaptação.
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